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11/11/2003

Carla é uma tunning! Tem um Opel Corsa de 1986 todo kitado, com aileron superior, embaladeiras com painel pequeno, pestanas de faróis e spoiler integral a trás. Consegue dar, nas rectas mais propícias à alta velocidade, 230 kms/h e dar curvas apertadas sem tirar o pé do acelarador. Carla trabalha como caixa numa grande superfície e cerca de 90% do seu ordenado vai para o seu Opel Corsa. Está a pensar comprar um Opel Kadett, mas para isso, nas concentrações, vai comendo panados no pão!!! TICO
A Senhora do 2º esquerdo tosse toda a noite. E eu, como noctívago
inveterado, sou obrigado a ouvi-la. Noite após noite...
De dia, enquanto durmo, tenta tocar piano. Tenta repetidamente aprender a
tocar 4ª sinfonia em Mi menor de Johannes Brahms, mas não consegue.
Poderá parecer que não gosto da Senhora...mas apenas abomino essa sua mania
de trocar os horários das pessoas...ela insiste em fazer-se ouvir! Há dias
até que finge não ter qualquer tipo de refeição e, como de uma maratona se
tratasse, toca insaciavelmente notas falsas e acordes trôpegos.
Há aqui no prédio quem diga que a Senhora do 2º esquerdo tem esta mania de
tentar tocar piano para vingar o facto de apenas ter 3 dedos em cada
mão...mas nisso eu não acredito!
Hoje acordei e não aguentei mais!!! Levantei-me e decidi que alguém teria de
dizer àquela Senhora que ela não sabe, pura e simplesmente tocar...vesti-me
rapidamente e no curto espaço que divide a maçaneta do meu roupeiro da
maçaneta da porta de entrada deparei-me com a minha mãe que tinha chegado de
mais uma aula de Ginástica. (Refiro-me a esta modalidade desportiva com
letra maiúscula pois trata-se de uma modalidade Mãe. Já lá vai o tempo em
que apenas havia a Ginástica como modalidade de ginásio, agora há o body
pump, o step, o cardio fitness, o spining...hoje em dia até se tem vergonha
de se dizer que se anda na Ginástica!)
Expliquei logo à minha mãe porque razão estava tão mal disposto mas, de
imediato, tentou demover-me de toda e qualquer incursão ao andar de baixo.
Perplexo por tal veemência por parte da minha mãe em relação a este assunto,
pois sabia que elas não se davam por causa de uns ovos que a Senhora do 2º
esquerdo nunca devolveu, perguntei-lhe o que se passava. E minha mãe
respondeu: "Sabes filho...é que a Senhora do 2º esquerdo é administradora do
prédio...e a nós ainda nos falta pagar as mensalidades do ano passado...". TICO

03/11/2003

O Mestre André tem uma loja...e por cada vez que o mar enrola na areia o Mestre André sente-se feliz!
Como ninguem sabe o que ele diz Mestre André continua impávido e sereno frabricando diáriamente os seus famosos chapéus de 3 bicos.
Carolina, sua neta, tem um lagarto pintado na saia e está na competição anual de saias arredondadas em que a campeã em título é a Rosa que é das melhores do bairro a arredondar a saia. Embora este ano sejam rivais neste concurso não deixam de ser amigas e é muito comum vê-las juntas na esquinha a tocar a concertina e a dançar o Sol & Dó.
Rosa tem um papagaio loiro e de bico doirado que leva por bastantes vezes cartas ao seu namorado. Este papagaio "é de Olhão" e como qualquer papagaio que se preze lá vai mandando as suas "bocas": "Ó Malhão-Malhão que vida é a tua!?". Malhão-Malhão é o pai da Rosa e é conhecido na aldeia por só comer, beber (terintitim) e passear na rua.
A Catrina, irmã de Rosa, tem 1 pombinha (já teve mais mas morreram todas entretanto) e é o orgulho da Vila pois já andou de mão em mão (inclusive nas mãos talentosas de Mestre André). Só houve um episódio que deixou abalado o povo pois em vez de vez de ir ter ao Pombal de S. João foi ter a Viseu e, pelo caminho, encontrou o seu amor exclamando em tom de pomba: "Ai Jesus que lá vou eu!!!", mas logo lhe passou a palermice e voltou para perto de Catrina que está toda contente pois na próxima semana já lhe chega a próxima remessa de pombas que encomendou na Amazone.com.
O presidente da Junta é o carismático Oliveirinha da Serra. Diáriamente recebe cartas de Celeste, dona de um espectacular jardim, que se queixa que constantemente lhe andam a roubar, e estas são palavras suas: "rosas do meu jardim".
Insatisfeita, Celeste decide "pôr a boca no trombone" e manda fazer milhares de flyers nos quais se podiam ler em letras garrafais "O Oliveirinha da Serra anda a comer a Catrina". Esta atitude, digamos que de "cabeça quente", fez com que Oliveirinha da Serra renunciasse ao seu mandato e fugisse com a sua amada Catrina para o Luxemburgo.
Rosa teria mais um encargo...as pombas de sua irmã!!! Como já tinha um papagaio loiro e de bico doirado decidiu entregá-las à Carolina. Carolina tinha um problema...as pombas não largavam o lagarto pintado que tinha na sua saia e decidiu oferece-las ao seu avô, o Mestre André.
Mestre André, trabalhador árduo na arte de fazer chapéus de 3 bicos, viu-se entre a "espada e a parede" pois com tantas pombas não conseguia trabalhar e decidiu matá-las e empalhá-las colocando-as como adorno nos seus seus chapéus de 3 bicos!!!

26/10/2003

Armando era um jovem tímido, piolhoso, "ramelento" e sobretudo tinha a imensa capacidade de gerar situações constrangedoras. Seu pai, Carlos Manuel, Capitão de Terra e Mar, vivia constantemente em sobresalto devido aos seus maus comportamentos. Sua mãe, Maria Glória, doméstica de profissão, ameaçava constantemente sair de casa com o miúdo.
Armando não falava muito mas quando "abria a boca" um chorrilho de palavras sem sentido incomodavam todos os que o rodeavam.
Apenas uma pessoa o compreendia.
Carolina era uma rapariga estudiosa, de feições bonitas, cabelo liso e comprido e com um sorriso encantador. Seus pais tinham uma serralharia numa terra vizinha, o que implicava que morasse com a avó. Maria Celeste era uma velhinha bem simpática mas tinha a mania de se meter em tudo o que a rodeava, o que por vezes lhe trazia alguns problemas.
Carolina entrou na Universidade do Minho em Serviço Social. Habituada à pacatez alentejana foi obrigada a rumar para Norte.
Armando havia perdido a única pessoa que realmente o entendia.
Maria Celeste ficou a morar sozinha e a solidão fez com que se metesse cada vez mais na vida das pessoas e também no álcool. Via Armando passar para baixo e para cima sempre com um ar triste e para tentar animá-lo oferecia-lhe por vezes rebuçados e goluseimas.
Certo dia telefonou para Carlos Manuel para lhe contar o que se passava com Armando, mas foi Maria Glória que atendeu o telefone. A velha Maria Celeste não se dava nada bem com Maria Glória pois faziam parte de duas famílias rivais constantemente em conflíto por causa de terras contíguas. Iniciaram imediatamente uma acessa discusão terminada apenas com a chegada de Carlos Manuel, Capitão de Terra e Mar. Armando estava em casa e dando conta da discusão correu para o quarto, partiu o mealheiro e com a roupa que tinha no corpo saiu de casa dirigindo-se a correr para a rodoviária local.
Passadas oito horas Armando encontra Carolina e decidem viver para sempre juntos...


12/10/2003

Rui Reininho afigura-se uma peça fundamental da rede Al-Queda!!!
As letras das canções dos GNR não são mais que mensagens em código permitindo a fomentação do terror em todo o Mundo. Contendo ordens apenas decifráveis pelos membros desta organização terorista este grupo português é a voz de comando em Portugal.
Esta ideia é baseada em experiências com grande sucesso dando a título de exemplo as mensagens Satânicas ouvidas em discos vinyl dos Shadows ou em cd's dos Delfins.
Temas como "Sob Escuta", "Nunca Mais Digas Adeus" e mesmo "Mosquito" são partes do Corão codificadas com fins específicos e segundo podémos apurar foram ouvidos vezes sem conta no dia 11 de Stembro de 2001. Já temas como "Sub-16" e "Video Maria" pertendem angariar novos membros desta causa.
A investigação ameaça novas bandas portuguesas e fala-se já no nome de Mariza e de Dulce Pontes como sucessoras legítimas desta ameaça. Sabe-se ainda que Bin Laden recebeu uma carta de José Cid ( "olheiro" da Al-Queda ) propondo que o legado passe imediatamente para Pedro e os Apóstolos caso as cantoras referidas sejam detidas.
José Cid em Assembleia Magna da Al-Queda afirmou este fim de semana no Afganistão que se não fosse o seu olho de vidro estaria disposto a ele próprio assumir as rédeas deste desafio, contudo achou por bem manter-se nas suas funções mantendo esta organização de braço dado com a música portuguesa.

Hoje não saí, nem me apetecia...não conheço ninguem que o tivesse feito mas de certeza que houve alguém que saiu...Houve alguém que hoje gastou uma parte da mesada/ordenado em copos, em putas, em vinho verde...
Mas eu não...pelo menos hoje não...
Da última vez que saí havia de tudo, mesmo de tudo! Vi loiras com as raízes dos cabelos pintadas de preto, vi Senhores de gravata manchada, vi copos partidos e gajas lambuzadas...e isso fez-me ver que nada mudou e que noite após noite se repetia a mesma história...não tinha perdido nada...
Depois, ao fim da noite, depois de ter passado as mãos por alguns cabelos loiros com raízes pintadas a preto, de entornar cerveja em cima de gravatas italianas acabadas de comprar, de partir uns tantos copos com a ânsia de lambuzar umas tantas gajas...voltei a ver o jantar que horas antes havia ingerido derramado no chão de uma qualquer rua ao lado de um incógnito cagalhão!!!

28/08/2003

Alimentado pela ânsia de vencer caiu...e do alto dos seus 2 metros e tal estatelou-se no chão não sem antes gritar bem alto o nome dela: SOFIIIAAA!!!!
No meio de ervas bem mais altas que a sua cabeça Romeu abriu os olhos e levantou-se. Após uma sacudidela inicial continuou a correr...cada vez mais depressa...cada vez mais cego...
O pasto calcorreado constantemente por vacas solitárias era íngreme e denso, mas para Romeu nada importava e continuava correndo a alta velocidade como se tratasse do terreno mais plano do mundo...
A sua felicidade estava mais à frente...estava a fugir-lhe por entre as mãos sem que pudesse aparentemente fazer nada.
Morreu exausto uns quilómetros à frente...
...e Sofia fugiu...

Mariazinha aprendeu a dançar...ela e tantas outras que andavam naquelas aulas de ballet dadas pela sempre mal disposta Fernanda Castro. Dotada de pés pontiagudos e parafusos nos joelhos ensinava, como podia, a arte do bailado a quem se quisesse aproximar.
Mariazinha era especial...de estatura baixa e de faces sempre rosadas, Mariazinha dava mais que as outras chegando mesmo a "dar o litro"!...encantava a freguesia com os seus movimentos, fazia doer as mãos a quem tanto aplaudia, limpava o lustro àquela velha sala da "Casa do Povo", enfim...Mariazinha aprendeu realmente a dançar...
Mais tarde, após digressão mundial e já com as pernas arqueadas de tanto esforço Mariazinha reformou-se.
Agora, de vez em quando, junta-se a excursões a Fátima...
Pudera...é sócia do Inatel!!!

03/07/2003

Acordei com a ideia de ser segunda feira mas depressa me apercebi que era mais um Domingo e a ideia de passar a tarde no Continente a fazer as compras do mês pôs-me rapidamente mal disposto...
Levantei-me, olhei em volta e vi que não podia passar mais um dia que fosse com o quarto naquele estado...tropeçando em velhos trapos que mais tarde descobri serem meias dirigi-me então à casa de banho onde me deparei com um cenário ainda mais dantesco...O chuveiro estava estragado e o ralo estava repleto de pentelhos...Que merda!!!...esqueci-me por momentos que era "dia do Senhor" e decidi-me por não tomar banho...
Se fossemos cães será que lamberiamos o nosso rabo com a mesma alegria com que os "melhores amigos do Homem" o fazem?...

28/06/2003

Boias reluzentes brilham num mar promiscuo...
O farol, ao longe, encadeia os peixes e ouvem-se gritos pesqueiros...É só o início...
Uma avó, sem fala, prende-se à parede e sacudindo-se violentamente descobre o segredo da juventude.
Nada feito. Não falo.
Um grupode jovens vagueiam nas dunas e procuram um búzio que lhes diga o caminho a seguir...
Só areia.Só sementes.
Num baú podre e de cor berrante o velho descobre a sombra da verdade,
enquanto que o pássaro acurralado na despensa procura o pacote das bolachas...
só depois e só
Daquele banco de madeira enorme e amarelo é que se avista o Mundo e o Céu parece vizinho...
Não há segredos...Chegou o fim...
Nos finais do século passado aconteceu uma catástrofe! Por volta das nove e picos, e durante uma acesa discussão entre Nicolau Breyner e Tó Zé Martinho no derradeiro e decisivo episódio da primeira exibição da novela Vila Faia, faltou a luz. Ora, como se sabe, os arquitectos não vêem novelas, pelo que o nosso arquitecto agridoce encontrava-se em plena actividade profissional à frente do seu recentemente adquirido 286, acabando o projecto que o catapultaria para a ribalta dos arquitectos aux vinagrette.
Tal acontecimento revelou-se fulcral para o desenrolar da vida do nosso herói. Já se vê!... a energia descarregada intensamente sobre a sua moradia T2 + 1 estava há muito anunciada pelos recorrentes e ameaçadores trovões que se faziam sentir. Contudo, a ânsia de terminar o projecto levou-o a ignorar as evidências. Não se tratava só de atingir o patamar dos vinagrettes, mas também, e fundamentalmente, de começar a pagar o empréstimo ao banco da sua nova casa.
E não era uma casa qualquer, era a sua casa de sonho por ele mesmo desenhada! Esta era composta por dois corpos autónomos, retomando uma tradição vernacular, revista na forma horizontal, de um único piso, na transparência e na cobertura inclinada de uma só água. O ferro laminado usado nas paredes exteriores é normalmente usado no sentido vertical, mas o nosso arquitecto agridoce acreditava que este devia ser horizontal. É, não só lógico em termos do próprio material, como também da estrutura que o fixa horizontalmente. Se cresce verticalmente compete com as árvores, e a sua vontade era deixá-las completar a horizontalidade do ferro laminado produzido pelo homem.
A sua mudança para a nova casa era fundamental porque a outra tinha infiltrações derivado às rachas. Obcecado em não competir com a flora, foi com surpresa que viu o seu ecrã escurecer por completo. Como é do conhecimento público, os arquitectos agridoces não fazem cópias de segurança, pelo que a sua vida terminara nesse momento. Era o desabar de todo um percurso que no seu culminar o tiraria, certamente, do anonimato.
De Mortágua a Miami, de Carrazeda de Ansiães a Maputo, vieram de todo lado amigos, companheiros, amantes e até a sua catequista, para o confortar, no entanto, o seu destino estava traçado desde o momento em que recebera o canudo em Coimbra. A sua maior amiga revelara-se a bebida. O que é certo é que, talvez por isso, os seus projectos estavam cada vez melhores...

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